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terça-feira, 12 de outubro de 2010

Tropa de Elite 2 – O Inimigo agora é outro



Tropa de Elite 2,se tornou a quinta maior abertura da história do cinema brasileiro.Posso garantir que toda essa euforia em torno da continuação do fenômeno de 2007 não é em vão.A seqüência do filme de José Padilha com Wagner Moura,voltando ao consagrado papel do capitão Nascimento,amplia o mundo que o filme de 2007 ajudou a criar.Afinal imagens são linguagens que devem ser vistas como um discurso a ser analisado.O primeiro filme flertava com o fascismo e com o slogan:”bandido bom é bandido morto!”.Através da criação de um Jack Bauer tupiniquim!
Tropa de Elite continua sendo fascista, continua centrado na figura do capitão Nascimento – agora coronel e subsecretario de segurança do Rio de Janeiro – mas a película me parece madura, sem ficar no clichê que o filme anterior criou. Dessa vez a luta não é entre bandido e policia, aliais isso e deixado bem claro na narração em off de Moura no inicio do filme.A grande saga do personagem agora é contra o sistema.
O capitão Nascimento, que era apenas um coadjuvante e roubou a cena em 2007, agora assume o papel principal. E é impressionante como a película se liga com força sobre o personagem de Moura. Não esperem um coronel Nascimento soltando os cachorros como no primeiro filme. Aqui o ator dá maior profundidade ao personagem, aborda outro lado. O peso dos acontecimentos caem todos sobre os ombros e Nascimento ai que Wagner Moura dá um show. Sua expressão é de um homem cansado, frustrado e acuado diante do que irá surgir ao longo da história.
O filme assim torna-se maior em grandes proporções. O suspense e a tensão dão as cartas e os méritos são todos de Padilha que conduz a história com maestria. Não espere um filme de ação, de intenso tiroteio dentro e fora das comunidades cariocas. O que Padilha quer mostrar aqui é o fator, ou podemos dizer à matéria-prima que move a violência não só no Rio de Janeiro como em todo Brasil, a corrupção!Não se espante se a câmera em um determinado momento fizer um vôo pelo Palácio do Planalto. No filme todos conspiram e a luta contra o sistema é de poucos. Padilha não poupa munições na construção de um discurso tenso. É meus amigos...personagens importantes irão morrer!
A história conta a ascensão de Nascimento, agora subsecretario de segurança do Rio de Janeiro. A partir de sua intervenção o coronel transforma o BOPE em uma maquina de guerra que livra o Rio da criminalidade. Nascimento é um herói, já Mathias (Andre Ramiro) se torna o anti-herói discordando em boa parte com os posicionamentos do seu comandante. Contra o BOPE esta o personagem do deputado Fraga (o ótimo Irandhir Santos) que vê na política dos “caveiras” um atraso para o combate da violência no Rio – Fraga representa uma outra forma de se ver a história – mas os destinos de Nascimento e do deputado logo se unirão contra o combate ao crime.Mas a eliminação do trafico não acaba com o crime organizado nas favelas que agora são controladas pelas milícias interligadas diretamente ao governo do Rio de Janeiro para fins eleitorais.No meio desse fogo cruzado o coronel Nascimento terá que contornar a difícil relação com o filho Rafael,agora com 14 anos.
Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro, é um filme pessimista. José Padilha joga no ventilador todo o discurso que criou no primeiro filme. E quem mais sofre com isso é coronel Nascimento, vendo tudo que acreditou ruir sobre seus olhos. E em um determinado momento o Nascimento que vimos na película anterior surge, pois como ele próprio narra “a questão agora é pessoal”!Em suma o novo Tropa é um tiro no peito da “democracia” em que acreditamos viver.E como o personagem de Moura mesmo fala muitos ainda vão morrer na luta contra o sistema.

domingo, 22 de agosto de 2010

A ORIGEM (2010)



Joseph Gordon-Levitt escapa de ataques,na magnifica cena no corredor hotel no mundo dos sonhos(Fonte Omelete)

Christofer Nolan é hoje no mundo cinematográfico uma das mentes mais talentosas em Hollywood. Prova deste talento esta no seu mais novo e fantástico trabalho intitulado A ORIGEM (Inception,2010).O diretor de Batman : O Cavaleiro das Trevas joga Leonardo DiCaprio e seu grupo no mundo de sonhos e redenção.A trama e investida por referencias da cultura pop e oriental,não é toa que nos cenários iniciais tenham forte influência da cultura japonesa alem da grande semelhança – em alguns aspectos – com a trilogia Matrix.
A trama conta a historia Dom Copp (Leonardo DiCaprio),um famoso ladrão de sonhos, que juntamente com sua equipe se envolve e uma missão muito mais complicada. Em vez de roubar uma idéia Dicaprio agora terá que implantar uma idéia dentro da mente de um herdeiro de um grande império financeiro. Para aplicar a inserção – algo considerado por muitos como impossível – o ator de A Ilha do Medo conta com uma equipe experiente. Implantar a idéia no alvo interpretado por Cillian Murphy é necessário pensar que o mundo dos sonhos é o mundo real e é nesse contexto que entra Ariadne (Ellen Page) a arquiteta responsável por construir o cenário do mundo dos sonhos. O personagem de Page também é a ligação entre o filme o espectador, a partir do olhar de fora da personagem nós podemos entender ou ficar na duvida, assim como ela em algumas lacunas que o filme aborda.
Mas o mundo dos sonhos não é um lugar seguro e Nolan deixa isso bem claro. Por se tratar de um filme de ação fica evidente que o realismo fantástico será um grande parceiro das cenas de ação que diretor criou com maestria (ponto alto: luta no corredor do hotel!). Será ainda mais inseguro para Copp através das aparições da personagem de Marion Cotillard que surge como um vírus a fim de estragar os planos de inserção em Murphy. Mao (Cotillard) tem uma forte ligação com o personagem de DiCaprio,mas prefiro deixar em suspenso.
Em suma, A ORIGEM é um espetacular filme de ação, que visualmente deixa qualquer filme visto ate então no chinelo. Nolan não se preocupa em responder algumas questões que o filme levanta, aliais esta não é a proposta da película. O que pode desagradar parte dos espectadores. Mas ai esta o grande truque do diretor deixar o espectador perdido no bosque e fazer com que ele trilhe seu caminho. O que é uma idéia?Talvez a próprio roteiro explique a originalidade do filme. Fazer cinema para Nolan seria “roubar “idéias que serviriam de referencias e “implantá-las” em um filme, um passo de reflexão bem original (risos).E lá pelo final o diretor deixa claro que esta aqui para confundir. O que é realidade ou sonho?Para o diretor de O Grande Truque isso depende do ponto de vista.  

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Tensão é a marca registrada do vencedor do Oscar,Guerra ao Terror (2008)


Alguns filmes são impressionantes pela sensação que causam ao espectador.Lembro-me de algumas películas que despertaram em mim sentimentos fortes.Talvez esse seja o grande triunfo de um filme,levar o espectador a uma reflexão,a uma descoberta ou enxergar dentro de um filme algo que não se pode compreender fora dele.Sortudo é o filme e por conseguinte o espectador que conseguem esta sintonia,pois ai está na minha opinião o segredo de se fazer filmes : A Linguagem Cinematografica.Pode parecer fácil mas não é.

Bom,chega de enrrolação e vamos ao que interessa.Um grande amigo me passou uns filmes via pen-drive para eu dar uma olhada,dentre as comédias românticas (que eram muitas,rs) encontrei o filme que se sagrou o grande vencedor da noite do Oscar deste ano : Guerra ao Terror de Kathryn Bigelow ( Caçadores de Emoção).Posso dizer que Guerra ao Terror tem todos os atributos que o configuram como um possuidor da linguagem cinematográfica que no inicio do século passado os irmãos Lumière deram vida.

O filme é pura tensão do inicio ao fim e Bigelow utiliza esse artificio para transportar o espectador mesmo que seja por algumas horas para a rotina dos soldados responsáveis por desarmar bombas na Bagdá pós Sadam Hussein.A diretora compara a guerra à uma espécie de droga,que pode levar ao vício.Como a frase que aparece no inicio do filme - para Bigelow a guerra é uma droga!Faço uma observação para a cena inicial carregada de pessimismo - tensão e pelo choque entre culturas:a árabe e americana.Através das viscerais cenas do filme passamos a ver a guerra a partir do vazio do deserto iraquiano.Mas apesar do vazio existencial da guerra,o conflito é quente e tenso.Outra forte cena ocorre já nos momentos finais retrata os meandros do conflito.Um homem-bomba se arrepende do ato de terrorismo mas o esquadrão anti-bombas tem poucos minutos para tentar impedir que o pior aconteça.Um momento de pura genialidade é impossível ficar quieto enquanto o esquadrão tenta impedir que o homem exploda dentro de dois minutos

Enquanto a tensão se converte rotina dos soldados(os coadjuvantes)que almejam o retorno e o fim da campanha em Bagdá.O vício da guerra é perceptivelmente atribuído ao soldado e protagonista James (Jeremy Renner,indicado ao Óscar),enquanto James vive toda a adrenalina de desarmar bombas e essa é a sua grande sina - seus companheiros são imersos na tensão que o soldado busca desesperadamente.Duas cenas podem melhor explicar o vício pela guerra do personagem.James rememora o tempo em que estava com a mulher e filho no Estados Unidos.Ao brincar com a criança o personagem reflete sobre o amor e a importância que atribuímos as coisas e de como o tempo ajuda a diminuir o amor e a importância de algumas coisas em nossas vidas.Depois James vai as compras com a família à pedido da esposa vai a uma prateleira em busca de cereais,quando encontra seus olhos parecem perdidos em busca de algo que não é o cereal esta na sua frente,o soldado suspira e apanha o objeto da prateleira.Resumindo o personagem de Renner busca no vazio da tensa guerra uma solução para pôr fim em profundo vazio existencial.

Guerra ao Terror é um filme forte.São magnificas as cenas com planos-sequências tremidos.As imagens parecem fugir aos olhos de quem esta assistindo,dando ao espectador a sensação de perda  total do controle.E é isso que Bigelow quer,transformar o espectador numa espécie de refém.E por conclusão é isso que realmente somos,reféns de uma guerra insana e sanguinária.Kathryn Bigelow,não tem medo de explodir essa bomba como forma de crítica na mão dos gestores da guerra,ou seja,o governo americano.

Em suma,creio que um grande filme não precisa de grandes protagonistas,efeitos especiais,câmeras 3-D.Um grande filme consiste em uma grande história; no poder e talento de um diretor,adjetivos que Guerra ao Terror possui com louvores.Mas pensando bem Guerra ao Terror tem um protagonista : a guerra iraquiana.

A guerra venceu e levou 6 Oscar's para casa!

Categorias em que venceu :

Melhor filme

Melhor diretor

Melhor roteiro original

Melhor edição

Melhor edição de som

Melhor mixagem de som


Bom filme !

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Mickey Rourke entrega sua melhor atuação em O Lutador (2008)


O ano de 2008 foi sem duvida o ano da volta por cima para este blogueiro e para alguns atores que andavam meio esquecidos...bom “esquecidos” não é propriamente o termo.Na verdade esses atores amargavam o fundo do poço !


Robert Downey Jr.e Mickey Rourke,levantaram e poeira e mostraram ao mundo que são atores de primeira grandesa.Dawney Jr.(Chaplin) assume a missão de lavar para as telas os quadrinhos do Homem de Ferro(Iron Men),seu primeiro protagonista depois de anos.E não parou por ai alem de estrear essa boa aventura,Robert Dawney Jr.fez muita gente rir no hilario Trovão Tropical,atuação que lhe rendeu uma indicação a melhor ator coadjuvante.Depois desses trabalhos a carreira do ator voltou aos bons tempos.

Mas não é sobre Downey Jr que resolvi falar hoje.Recentemente comprei um filme no qual me agradou muito,O Lutador(2008),com Mickey Rourke(9 semanas e ½ de amor) no papel de Randy "The Ram" Robinson ou “O Carneiro” para os intimos,rs.Rourke foi considerado um dos maiores nomes dos anos 80 tanto por sua beleza como por seu talento.Mas ai os anos passaram,os escândalos vieram,uma operação plastica mal sucedida multilou seu rosto e então Rouke decidiu abandonar a carreira de ator e se dedicar ao boxe.

A virada de mesa poderia ter ocorrido em Sin City (2005),mas não ocorreu.O Lutador como eu disse,conta a história de Randy “The Ram” Robinson um lutador de vale-tudo famoso dos anos 80 que amarga o esquecimento no tempo presente.Os dias são dificeis para o personagem de Rouke,vivendo em uma quitinete(onde o aluguel sempre esta atrasado devido ao pouco que ganha nas lutas que participa),o personagem é uma especie de avó para os novos lutadores,querido e respeitado por eles.As lutas são impressioantes,Rourke chega a se cortar de verdade em algumas cenas,tamanha a entega do ator ao personagem.Se as lutas são primorosas,o que dizer das cenas fora do ringue como a que Rourke aparece trabalhando no balcão de um supermercado...uma palavra resume:Tocantes.

Rourke dá um show e o diretor Darren Aronofsky ( Fonte da Vida) sabe disso e resolve filmar como nos velhos tempos,câmera na mão e pronto.O estilo empregado pelo diretor deve-se muito ao pouco dinheiro posto no filme.No seguir do enredo o “The Ram” sofre um infarto devido a forte uso de anabolisantes.Impossibilitado de lutar por sofrer de problemas cardiacos “The Ram “ esta decidido dar um novo rumo a sua vida como : reencontrar sua filha(Evan Rachel Wood),encontrar um amor;ai entra a stripper vivida por Marisa Tomei (ousada) – o personagem de Rouke parece finalmente dar a volta por cima.Mas esse não é um filme de superação,e sim de causa e consequência.”The Ram” é o heroi e o vilão de sua propria história,ou como ele mesmo disse “Um pedaço moido de carne”.

O roteiro de Robert D Siegel é primoroso,os dialogos são de levar qualquer um as lagrimas,principalmente os de “The Ram” com sua filha,e o que dizer do dialogo final,antes da luta com seu rival Aiatolá (Ernest Miller).Pra quem curte anos 80 como eu,a trilha sonora e pra roqueiro oitentista nenhum botar defeito. O Lutador e uma obra prima e por que não uma metafora da vida de Rourke,doa a quem doer!

Curiosidades:

Mickey Rourke viverá o vilão na sequência de o Homem de Ferro 2,ou seja estará frente a fente com Robert Downey Jr.

Mickey Rourke viverá o pai do bárbaro no próximo filme do Conan,dirigido por Marcus Nispel

Rourke foi indicado paro Oscar de melhor ator em 2008 e Marisa Tomei ao de melhor atriz coadjuvante

Rourke venceu o Globo de Ouro de melhor ator genero DRAMA

Trailer do filme:

http://www.youtube.com/watch?v=PvCPRebf_Uk

sábado, 16 de janeiro de 2010

Mike Nichols fala do amor com crueldade e elegância no assustador Closer-Perto Demais( 2004)




Cara, quem não gosta de um bom romance?Essa falácia de que romance só foi feito pra mulher, é pura história. Eu particularmente adoro um bom romance, não aqueles romances enxertados de frases melosas. Juras de amor eterno, aonde o mocinho vai para guerra e quando volta encontra a mulher da sua vida praticamente casada com outro e num súbito lampejo de amor os dois fogem e vivem felizes para sempre, aliais com milhares de filhos. Desse tipo de “romance” eu to fora, literalmente!Foi o tempo em que o amor era visto assim, tanto pelo cinema, quanto por nós miseráveis mortais nesse mundo de meu Deus (risos). Afinal, creio que todos nós em algum momento da nossa vida, paramos e refletimos sobre o amor. O amor esse sentimento que causa um frio na espinha. Como dizia o poeta Camões; o amor é chama que arde e não se vê.
Para aqueles menos experientes o amor realmente é visto ainda como uma coisa lúdica, algo bem parnasiano, pois o amor é uma jóia rara e deve ser cuidado com esmero. Ao mesmo tempo o amor para estes é algo simbólico, soa como musica aos ouvidos; misterioso; para os que acreditam neste tipo de sentimento é como viver nas nuvens. E quem nunca viveu um amor assim?Se não viveu; viverá!
Já aqueles viveram varias historias de amor, como este que vos escreve. Esse sentimento é encarado com mais maturidade, principalmente para os que já tiveram uma grande decepção.
Quem nunca se perguntou enquanto solteiro:
- Onde esta o amor da minha vida?
Resposta:- Ficando com outro, otário (risos).
E quem passou ou passa pelo acidente do namoro como eu, sabe que sempre duvidas infestam a nossa cabeça. Será que eu estou com a pessoa certa?Pergunta clichê de todo namoro, posto em cheque!
Bom, chega de delongas!Na verdade utilizei toda essa reflexão para fazer um comparativo com alguns filmes cujo principal tema é o AMOR. Essas películas do gênero romance podem ser comparadas a esses tipos de amor, citados anteriormente. Filmes onde o romance se baseia, nos mesmos clichês, nos argumentos de filmes da década de 30 ou das novelas das seis da rede Globo podem ser comparados a um tipo de amor inexperiente; lúdico e simbólico.
Mas não só desses românticos filmes vive a sétima arte. Tivemos no decorrer dos anos criativas formas de se contar uma grande historia de amor, ou com boas doses de comedia (Ligeiramente Grávidos,de Judd Aptow) ou através de um pouco de ficção cientifica,minto...um pouco de tudo em Brilho Erterno de uma Mente sem Lembranças de Michael Gondry(aguarde uma resenha).A esses filmes de romance eu tiro meu chapéu e faço mais,os incluo na minha reflexão do meu segundo amor,mais experiente vivido,pés no chão.Filmes contemporâneos que contam historias de amor contemporâneas.
Na minha opinião;nenhum filme ousou abordar o tema AMOR tão bem quanto Closer:Perto Demais,de Mike Nichols.
O filme que estreou em 2004 é uma adaptação da peça homônima Patrick Manber,que também assina o roteiro.Ninguém mais creditado para assumir a direção do que Nichols(A primeira noite de um Homem,1967)já acostumado com a transição do tablado para a película,como havia feito em Quem tem medo de Virginia Woolf?(1967). O diretor retorna depois de anos afastado do cinema, com o pé direito, voltando a temática que o consagrou como um especialista em abordar as relações humanas, principalmente no que se refere a: amor, traição, sacrifício.
Sua abordagem sempre gira em torno da relação de seus personagens com o mundo.Falando sempre de indivíduos que querem fazer uma transformação ao redor dele.Outro tema comum nos filmes de Nichols é o argumento da imperfeição que percorre os seus personagens que são fadados a viver uma vida cheia de falhas.Closer se encaixa perfeitamente nesta última descrição.
O filme conta a historia do retângulo amoroso vivido pelos casais Anna e Larry(Julia Roberts e Clive Owen)Dan e Alice( Jude Law e Natalie Portman).Os personagens logo despertam a atenção do espectador por serem tipicamente urbanos e maravilhosamente reais.Os diálogos são sem duvida a grande arma do filme.Os personagens utilizam as palavras –como arma de conquista quando querem se apaixonar e que ferem brutalmente quando não querem mais saber do amor.Ambos os casais parecem bem resolvidos e independentes.E isso pode-se perceber na rotina de cada um e na linguagem.Ninguém tem problema em falar sobre sexo,de detalhes anatômicos do parceiro do outro.
O grande problema e que essa intimidade toda, no fim das contas, não é tão intima assim. No decorrer do filme com os saltos temporais acompanhamos a vida de cada casal, suas idas e vindas, inversão de parceiros, traição; separação. Todos no filme dizem eu te amo, mas parecem estranhos um para o outro.Manter uma relação honesta entre o casal é o que parece a grande discussão do filme.Aliais ,Nichols deixa isso bem claro, mas não mergulha na psique de cada personagem, com o intuito de distanciá-los do espectador, a fim de tornar cada um, incógnita do começo ao fim. Somos surpreendidos a cada ação dos personagens, mas esse distanciamento proposto pelo diretor não significa que o espectador não vá se identificar com algum deles ou refletir sobre alguma situação dentro da película, Closer é vida real pura e crua.Dan(Jude Law) candidato a romancista que ganha a vida escrevendo a pagina de obituários de um jornal,vê Alice ( Natalie Portman) caminhando numa rua de Londres.Alice é atropelada por um táxi.Dan a leva para um hospital e tempos depois descobre que a moça era stripper em Nova York,mas deixou a cidade para se separar do namorado.
Alguns anos mais tarde, Dan procura a fotografa Anna (Julia Roberts) para fazer uma foto que estampará a capa de seu primeiro romance, baseado na vida de Alice, com quem agora vive. Ele paquera Anna, ela corresponde. Quando Alice descobre o adultério do namorado, e vai ao encontro de Anna, que fica constrangida. A persongem de Natalie Portman então a surpreende pedindo que a fotografe para a exposição que Anna fará.
O dermatologista Larry(Clive Owen ) da as caras na película,de uma maneira meio cômica e pervertida.Dan entra em uma sala de pate-papo na Internet,se passando por mulher e mantendo conversas eróticas com Larry.O escritor então atrai o dermatologista para um encontro com Anna em um aquário em Londres.
O conflito entre os casais explode. Larry precisa saber quantos e como Anna atingiu os orgasmos com Dan,para enfim aceitar o divorcio.Já Dan finalmente reconhece Alice com seu verdadeiro amor,mas não consegue imaginar que ela tenha dormido com outro.
Mike Nichols não tem o menor pudor em expor a hipocrisia dos seus personagens, os diálogos são assustadoramente reais. Para quem puder ter a chance de ver o filme pode chegar à conclusão de que o filme não aborda o amor como tema principal e sim a traição. Eu já acho diferente. Cada individuo dentro do filme representa uma espécie de amor. Dan representa o amante envolto pela culpa e ciúmes, aliais esses sentimentos serão determinantes para o desfecho do filme, não gostei da atuação de Law(muito caricata).Já Julia Roberts representa o amor impulsivo e sem pudor algum,talvez esse sentimento que ela represente seja o mais ligado ao desejo.Roberts parece meio perdida no filme talvez por não ter compreendido sua personagem,em um estante parece uma mulher decidida em outra faz uma carinha de anjo e tudo se dissipa.Ela e Clive Owen tem um dos diálogos mais fortes do filme.Por falar no personagem de Owen,que dá um show,como um homem bruto com um par de chifres na cabeça.,talvez o amor que ele sente seja o mais próximo do que nós homens sentimos.Um sentimento mais carnal,algo mais visual,mas isso não faz de Larry um homem desprovido de amor ou sem coração.Aliais é dele também uma das frases mais bacanas do filme:”Quem viu um coração de perto sabe que ele se parece com um punho ensangüentado”.Mas quem realmente brilha é Natalie Portman,ela é a única personagem onde a traição não parece ser afrodisíaca.Ela respira sensualidade e ao mesmo tempo parece tão ingênua.E difícil não se apaixonar por ela do inicio ao fim da película ao som de “The Blowers Daughter", de Damien Rice .Nichols entende isso e a explora ao máximo na frente na câmera,seu sentimento talvez seja o mais verdadeiro,tanto que ela é a única que sai ilesa no belo termino do filme,que Nichols teve a sensibilidade de mudar.
Closer pode parecer um filme frio, um filme que fala de amor como se fosse o pior sentimento do mundo. O filme é assustadoramente real e pode dividir opiniões. Closer é ousado!Quem disse que a vida real não tem lá a sua beleza?
Bom filme, e um ótimo fim de semana!
Video do Fime:

http://www.youtube.com/watch?v=TTJux1U-t1w

Frases marcantes:
“Onde esta o amor? Eu não o vejo, eu não sinto”? (Natalie Portman)
“O amor é um acidente esperado para acontecer”
“O desejo é um estranho que você pensa em conhecer”
“A intimidade é uma mentira que contamos a nós mesmos”
“A verdade é um jogo que jogamos para vencer”
“Por que me jurou amor eterno se só queria apenas diversão”?(Julia Roberts)
“O amor me decepciona” (Jude Law)
“Vocês mulheres não conhecem o território, por que são o território” (Clive Owen)

Wendell em Cena

http://wendellbrito.blogspot.com/

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Em cena:A maior parceria da história do cinema,Touro Indomável(1980)



O mundo do cinema foi testemunha de grandes parcerias entre atores e diretores. O tempo presente nos mostrará o quanto isso pode ser valido e mágico para a sétima arte. Às vezes me pergunto o que seria de Tim Burton sem sua parceria com Johnny Depp (Fantástica fabrica de Chocolates, Edward Mãos de Tesouras e o inédito Alice no País das Maravilhas) juntos já contabilizam sete filmes no currículo. Mas o mundo do cinema alguns anos atrás presenciou talvez a maior parceria entre um ator e um diretor. Martin Scorsese( Gangues de Nova York,e do inédito Ilha do Medo) conheceu Robert de Niro através de Brian de Palma(diretor de Os Intocáveis) um amigo em comum do diretor e do ator,ate então naquele momento dois desconhecidos.
O primeiro filme da dupla foi Caminhos Perigosos (1973) três anos depois uma das obras primas dessa parceria ganharia vida. Com Táxi Driver (1976) Martin Scorsese e de Niro foram ovacionados pela crítica. Taxi Driver é considerado um dos melhores filmes de todos os tempos, rendeu a Scorsese a Palma de Ouro em Cannes e a de Niro à fama e o respeito que todo ator almeja. O último filme da dupla, Cassino (1995) não foi bem acolhido pela crítica. Na verdade em uma parceria bem sucedida não se espera fracassos ou obras menos expressivas. Cassino é um grande filme, mas não uma grande obra como Táxi Drive.
Bom, o filme que escolhi para falar hoje considero como a obra prima que de Niro e Scosese fizeram juntos, talvez a película onde ator e diretor respectivamente apresentaram uma sintonia mais acentuada, algo fora do comum, assim como também o considero o mais sombrio dessa parceria. Depois de encarar o fracasso do musical New York, New York (1977) [grande sonho do diretor] Scorsese se afunda na depressão e no vicio da cocaína. Para o diretor sua carreira chegara ao fim. Amargava o fundo do poço sem o reconhecimento do público e da crítica, estava viciado em cocaína, aprisionado em uma clinica para dependentes químicos. Nesse meio tempo de Niro alem de consolidar sua carreira e seu posto como o melhor ator de sua geração, buscava uma solução para acabar com os problemas do amigo diretor. Robert de Niro (Máfia no Divã) então entra em contato com livro de memórias do boxeador Jake La Motta e compra os direitos de adaptação do livro. Em entrevista de Niro fala que ao ler o livro achou que historia do boxeador dos anos 50 lembrava muito a do seu grande amigo e companheiro Scorsese.
Pouco tempo depois, de Niro foi ao encontro de Scorsese na clinica e ofereceu o roteiro para o amigo. Em depoimentos o diretor de O Aviador (2005) disse que sentiu relutância, pois não gostava de boxe, aliais não saberia compreender o esporte e transpô-lo para tela grande. Nos mesmos depoimentos Scorsese conta que foi compreender a historia nas filmagens. Em 1980 estréia Touro Indomável ( Raning Bull) obra prima do diretor e do grande amigo Robert de Niro.Martin Scorsese conta a historia de Jake La Motta, boxeador filho de imigrantes italianos.Com o primor como em poucas vezes se viu na historia do cinema o diretor e ator passeiam pela vida de La Motta(de Niro) dês do auge da carreira onde era um dos maiores boxeadores do seu tempo transpondo fúria e sedento por vitórias,daí o apelido de touro indomável;seu relacionamento doentio,paranóico com a mulher Vickie La Motta( Cathy Moriarty),a relação de conflitos e de companheirismo com o irmão Joey La Motta(Joe Pescie,Bons Companheiros) tão troglodita quanto o irmão boxeador ate a sua decadência onde era o dono de uma boate,acima do peso;separado da esposa e filhos envolvido em escândalos de pedofilia.
Pessoalmente esse filme é um dos meus favoritos, nele esta contida a maior parceria entre um diretor e um ator. Robert de Niro aprendeu a lutar boxe e engordou 27 quilos para viver a fase de decadência de La Motta. O filme é todo rodado em preto e branco,preferência do diretor que achava o filme diferente dos outros filmes de boxe que na época era um gênero de sucesso e queria que o espectador enxergasse isso.Através dessa escolha Scorsese criou o filme mais sombrio da sua carreira.A película começa com La Motta (de Niro) se aquecendo dentro do ringue,dando a idéia ao espectador,que estávamos prestes a contemplar uma grande luta,e os créditos aparecem na cena sobre a belíssima trilha sonora de Robbie Robertson.Depois somos jogados para uma sala e vemos La Motta,mais velho,27 quilos mais gordo de frente para o espelho conversando consigo mesmo,fazendo reflexões sobre a vida.Entendo essa cena como uma conversa entre ator e espectador como se fosse uma conversa intima,algo que o teatro consegue fazer com maestria,na minha humilde opinião essa cena é genial.Robert de Niro(que foi aclamado com o Oscar de melhor ator por sua interpretação) esta perfeito como La Motta,respirando fúria dentro e fora do rinque.As cenas de luta são assustadoramente reais,impressionates.O filme na verdade é uma metáfora da vida de Martin Scorsese,ele entendeu que o rinque é um objeto simbólico,para o diretor o rinque esta em todo lugar,a todo instante temos que encarar nosso adversário de frente,a vida é assim.
La Motta apesar de gênio no ringue nunca conseguiu respeito dos críticos, nunca foi carismático, popular não sabia lidar com as pessoas sempre as tratava com ignorancia e frieza. Era assim a vida de Scorsese, gênio, mas que sempre teve seu talento posto à prova pelos críticos e naquele momento estava em rinque tendo que provar que não era um diretor de um filme só (Táxi Driver) e tendo que vencer seu maior adversário a cocaina.Os demonios que faziam de La Motta um genio eram os mesmos demonios que o faziam se tornar um sujeito prestes a implodir,como Scorsese.
Touro Indomável é considerado o melhor filme dos anos 80. A película pode as vezes parecer muito cansativa para o espectador,e na verdade é.Touro Indomável é frio,cru e sombrio,é um belo filme principalmente pela maneira que Scorsese o realiza.É uma experiência fantástica sobre a fama,decadência e violência.Todos nos estamos sujeitos a experimentar assim como La Motta.
Trailer do filme:

http://www.youtube.com/watch?v=4v7XYhpHCYY

Curiosidades: Robert de Niro treinou boxe durante um ano com Jake La Motta. As filmagens foram suspensas durante dois meses para que de Niro pudesse engordar o suficiente para viver o ex boxeador.
Apenas os filmes caseiros de La Motta são coloridos (como o do seu casamento) o resto esta em preto e branco
Acidentalmente Robert de Niro quebrou uma das costelas de Joe Pescie em uma cena em que brigavam.
Nas cenas em preto e branco foram utilizados chocolates para representar sangue no filme
Touro Indomável foi indicado a 8 Oscar’s incluindo:Melhor filme,diretor e ator.Venceu duas categorias:Melhor ator e Montagem
Martin Scorsese ganhou seu tão sonhado Oscar anos depois por os Infiltrados (2006).
Hoje Scorsese tem como parceiro o ator Leonardo diCaprio,juntos já contabilizam quatro filmes.
Scorsese e de Niro prometem retomar a antiga parceria em breve
Martin Scorsese será Homenageado na edição deste ano do Globo de Ouro que acontecera no dia 17 de janeiro, irão lhe entregar o troféu Robert de Niro e Leonardo diCaprio,seus pupilos.
Outros filmes da dupla: New York, New York (musical, 1977) Os Reis da Comedia (comedia, 1982), Bons Companheiros (drama, 1990), Cabo do Medo (suspense, 1991), Cassino (drama, 1994).Outros bons filmes sobre boxe: Ali (de Michael Mann 2000), com Will Smith, Menina de Ouro (de Clint Eastwood 2005).Bom começo de ano a todos.
Wendell Em Cena
http://wendellbrito.blogspot.com/